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Confira o post inicial: Viagem Manaus - Ilha de Margarita (Venezuela) com o índice de todos os relatos da viagem.
Após todos os relatos, publiquei a galeria de fotos da viagem de Manaus à Ilha de Margarita. Fiz uma seleção de 59 fotos das quase 400 que tirei. Espero que gostem. :-)
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Publicado por ademar e arquivado em manaus, pessoal, tags: manaus, margarita, viagem
Confira o post inicial: Viagem Manaus - Ilha de Margarita (Venezuela) com o índice de todos os relatos da viagem.
Após a saída da reserva indígena, passamos por uma placa que dizia: “Manaus: 202km”. Já faziam alguns quilômetros que a estrada estava ruim e o sol estava se pondo, então diminuí a velocidade. Cansados da noite mal dormida e de 1.800km rodados em dois dias, já sonhávamos com um banho e uma cama confortável na casa dos amigos que nos recepcionariam em Manaus.
Estavámos a 100km/h, contando o tempo pra chegar quando, no meio de uma curva, avisto uma sequência de crateras no asfalto. Não estou falando de buracos quaisquer: eram três buracos que atravessavam toda a pista de um lado ao outro. Travei os quatro pneus do carro por alguns metros e soltei o freio pra passar pelo indesviável, esperando pelo melhor… mas o melhor não veio: depois de um solavanco, senti o carro estranho e imediatamente ouvi o inquestionável barulho de ar saindo pelos pneus.
Parei o carro, liguei o alerta e fui conferir: pneus dianteiro e traseiro esquerdos estavam rasgados. Comecei a pensar no que fazer quando dois rapazes de moto param para prestar assistência. Eles comentam que trabalham na manutenção da estrada dentro da reserva e que estavam voltando pra Manaus. Se abaixam e começam a me ajudar na troca do pneu dianteiro. Depois de alguns minutos um deles me diz: “Eu conheço um borracheiro na entrada da reserva, há poucos quilômetros daqui… Vamos trocar o pneu dianteiro e levamos o traseiro pra consertar”.
O rapaz, muito educado, pegou a moto e me chamou pra ir com ele. Fiquei meio desconfiado mas não tinha muitas opções. A pior parte era deixar a Viviane, ao anoitecer, na beira de uma estrada vazia com um estranho. Falei com ela que, assustada, concordou, então eu fui, pedindo a Deus que nada acontecesse.
Rodamos cerca de 2km em direção à reserva e chegamos até um borracheiro. Ele olhou pro pneu com o rasgo e disse: “sem chance, só colocando uma câmara de ar… mas leve até o outro borracheiro que ele é mais esperto e talvez consiga alguma coisa”. Pegamos a moto e seguimos mais 1km. O outro borracheiro começou a fazer alguns testes - sem muita esperança - e nesse momento o rapaz da moto vira-se pra mim e diz: “eu vou até ali na venda comprar um cigarro e já volto”. Antes que eu dissesse alguma coisa, ele já estava na moto, voltando pela estrada por onde havíamos vindo…
Nesse momento eu, que já estava com medo, comecei a ficar apavorado: já era início de noite, eu estava sozinho em uma estrada sem movimento (o portão da Reserva Indígena estava fechado), a Viviane estava sozinha há alguns quilômetros dali com um estranho e o rapaz da moto estava indo na direção deles… O que fazer?
Aguardei alguns instantes e… UFA! Lá estava o “rapaz da moto” (não sei o nome dele) com os cigarros que tinha ido comprar. Mais aliviado (e com o pneu sem conserto - o diagnóstico do segundo borracheiro foi o mesmo), subi na moto e começamos a voltar. No caminho o rapaz me mostrou o único telefone que eu encontraria num raio de 20km, próximo de uma pequena mercearia.
Quando cheguei no carro, fui logo procurando a Viviane, e felizmente tive uma boa surpresa: ela estava bem descontraída, ouvindo o que o rapaz tinha a contar sobre os incidentes comuns na Reserva Indígena (históricas como a do dia em que índias foram fotografadas tomando banho e a estrada foi fechada, a morte de um ancião da aldeia e o quase linchamento de uma enfermeira da FUNAI, as exigências excêntricas dos índios e assim por diante).
Os rapazes da moto, muito simpáticos, tomaram seu caminho sem aceitar qualquer gratificação. Ficamos muito agradecidos e prometemos que passaríamos o favor adiante quando tivéssemos a oportunidade.
Agora era noite e fomos, rodando com um pneu vazio, até o único telefone da região. A ligação pro seguro foi uma história a parte: o atendente quase não acreditou quando eu disse que estava “há 200km de Manaus, próximo a uma reserva indígena”, mas ainda assim me deu a resposta padrão: “não se preocupe senhor, estamos enviando um guincho e um taxi, a previsão de chegada é de 2h, por favor nos ligue em 30min pra confirmar”. 30 minutos depois liguei novamente e ouvi uma nova previsão pro guincho: 3h, ao mesmo tempo que me disseram que não encontraram nenhum táxi disponível mas eu poderia pegar um táxi qualquer e seria reembolsado posteriormente, com a apresentação da nota fiscal. Pensei em responder que talvez conseguisse algum índio pra me levar, mas me contive. :-)
Terminei de falar com o seguro e decidimos ligar pra nossos amigos em Manaus. Nesse momento o telefone ficou mudo. Iluminei com minha pequena lanterna o aparelho telefônico e vi a mensagem “A G U A R D E”. Havia um senhor ao nosso lado que usara o telefone há pouco. Perguntei o que essa mensagem queria dizer e tive uma grande surpresa na resposta:
“Ah, isso é normal, é por causa disso aí” e aponta com sua forte lanterna para um cercadinho a 2 metros do telefone, onde vemos nada mais nada menos do que uma antena parabólica e um painel solar. “A bateria não aguenta muita carga à noite, mas logo o sinal volta”. E ainda completou: “o próximo telefone fica a 20km daqui, mas geralmente está quebrado… e esse aqui, quando quebra, demora muito pra ser consertado, pois o técnico da Embratel tem que vir de São Paulo”.
Um pouco pasmos, pegamos o carro e fomos para um posto de combustível (fechado) do outro la rodovia aguardar pelo guincho, que só chegou depois de 5h30min, às 01:30h. O carro foi colocado em cima do pequeno caminhão e nós fomos dormindo dentro dele (sim, em cima do guincho). O velocímetro do carro marcava 4.814km rodados. Os últimos 202, que completariam os 5.000 da viagem, foram de carona. :-)
Chegamos às 05:30 em Manaus, contamos a história completa pra nossos amigos e fomos dormir um pouco. Ainda no sábado coloquei uma câmara de ar no pneu rasgado e levei o carro pra empresa que o traria pra Curitiba. À noite embarcamos em nosso voo e aqui estamos, prontos pra próxima.

Com isso encerra-se a história de nossa viagem, que apesar dos contratempos, foi excelente. Se você leu até aqui, espero que tenha gostado.
Por fim, deixo a grande e mais importante dica de todas: tenha sempre uma, ou melhor, duas câmaras de ar de reserva. :-)
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Nosso plano era sair da Ilha na quarta-feira à tarde, pernoitar em Puerto la Cruz e encarar a estrada na quinta-feira, seguindo até Santa Helena onde dormiríamos novamente pra então encarar a última perna da viagem até Manaus. Mas infelizmente o carnaval nos atrapalhou novamente: na quarta-feira de cinzas o ferry-boat não navegou e fomos obrigados a sair da Ilha na quinta-feira pela manhã.
A saída na quinta-feira nos atrasou muito. Puerto la Cruz estava congestionada pela volta do feriado e só conseguimos sair da cidade por volta de meio dia. Pisei fundo pra tentar compensar o atraso e evitar dirigir a noite, mas não havia muitas esperanças: quando a noite caiu, estávamos muito longe da fronteira. O cansaço foi apertando e por volta de 23:00hs resolvemos parar, ainda antes de encarar a serra. Não tinhamos mais Bolivares para um hotel, mas para nossa sorte, encontramos uma pousada com área de camping. Aceitaram nossos últimos Bs 25.000,00 pela pernoite, mas tivemos que dormir no carro.

Às 06:00 acordamos e voltamos pra estrada. Ainda haviam 250km de serra até a fronteira e mais 1000km de estradas brasileiras (boa parte esburacadas) até Manaus. Novamente pisei fundo pra compensar o atraso, pois agora tinha uma outra variável importante: precisava cruzar a reserva indígena Waimiri Atroari até às 18:00hs, quando os portões da estrada que a atravessa são fechados.
Passamos por Boa Vista ao meio dia, compramos um marmitex pra comer no próprio carro e continuei pisando fundo. Felizmente boa parte da estradas estava boa - recém reformada e vazia - então foi possível manter a velocidade alta, em torno de 160km/h. Ficamos aliviados quando conseguimos entrar na reserva, por volta de 17:00. Quando saímos dela, faltavam pouco mais de 200km pra chegar em casa. Ou melhor: chegar na casa de nossos amigos Anderson e Cibele que nos recepcionariam para nossa última noite em Manaus, uma vez que nossa mudança já estava a caminho de Curitiba há dias.

Mal sabíamos que ainda teríamos uma grande surpresa nesses últimos 200km… (mais no próximo post)
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Ilha de Margarita: Praias e Atrações
A ilha de Margarita tem cerca de 1.000km² e há muito o que ver e experimentar por lá. Então é bom estar de carro, pois a mobilidade é essencial: as principais praias ficam longe da cidade, há belas estradas pra serem percorridas e o serviço de taxi, além de ruim, é caro.

Além disso, a vida noturna, que se concentra na região central da cidade, oferece cassinos, shoppings, restaurantes, bares, boates, etc. Ficar preso num hotel ou depender de taxi pra tudo deve ser um pouco frustrante.
Ficamos 3 noites em um hotel no centro da cidade de Porlamar e outras 6 noites em uma pousada próxima à “Playa el Agua”, no nordeste da Ilha. Nos três primeiros dias, conhecemos a cidade, suas lojas, shoppings e a cultura local. Quando fomos para a pousada, gastamos mais tempo nas praias e reservamos um dia exclusivamente pra percorrer as estradas da ilha e conhecer, nem que fosse apenas de passagem, todas as praias. No total, entre indas, vindas e passeios, percorremos cerca de 1.000km dentro da ilha.
Praias e mais praias
Bem, como em toda ilha, o que não falta em Margarita são praias. A mais conhecida e frequentada é a Playa El Agua. Muitos turistas americanos e europeus, muitas ofertas de passeios, mergulhos e comidas vindas do mar. A água é sempre clara e limpa, tendendo prum verde azulado. Há praias com ondas, praias calmas, praias de pescadores, praias desertas, praias exclusivamente de pedras e conchinhas… Enfim, praias pra todos os gostos. Compre um mapa e faça um planejamento de passeios. Os funcionários do seu hotel/pousada devem poder te auxiliar.


Parque La Restinga
No noroeste da ilha há um parque chamado “La Restinga”. O parque fica numa região de mangue e há passeios de barco que duram entre 45min e 3h. Fizemos o passeio mais curto e pudemos conhecer os canais e ver as praias da região. Foi um passeio rápido mais muito legal.

O mais interessante da região do parque é que há uma praia deserta, toda formada por conchas e pedras brancas. Em fevereiro de 2007, a estrada estava semi-bloqueada por uma erosão que devorou metade da pista na entrada, mas conseguimos entrar mesmo assim e pegamos o por-do-sol nessa praia, que nem consta no mapa. O local é muito bonito, pena que um pouco poluído por garrafas de plástico que vão se acumulando. A Viviane fez a festa na coleta de conchas e pedrinhas brancas: trouxemos duas sacolas cheias pra casa.


Hotéis, Restaurantes e Cassinos
Há vários hoteis de luxo e alguns cassinos. O cassino que visitamos e que parece ser o mais completo é o do Hotel Hilton, em Porlamar. Como bons e sortudos jogadores-pobres, gastamos Bs 15.000,00 (algo como R$ 10,00) e saímos de lá com Bs 38.000,00 (R$ 25,00). Ah, e aproveitamos os petiscos e show ao vivo, que são de graça. Uma pena que fotos eram proibidas no interior do cassino.

Se estiver por lá no período de alguma festividade, procure por eventos nos principais hotéis. Nós aproveitamos o Dia dos Namorados Internacional (”Valentine’s Day”, 14/fev) e fomos para um jantar romântico no Hotel Hilton. Foi nossa primeira experiência em um “restaurante chique” com cardápio francês e tudo mais. Recomendo. :-)
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Fomos Roubados :-(
Esse é um relato de uma parte chata da viagem: após três dias de passeios e compras, era hora de sair do hotel da cidade (Marina Bay) e ir para uma pousada à beira da praia (Pousada Ashi).
Fizemos as malas, empacotamos o que havíamos comprado, guardamos tudo no carro e fizemos o checkout do hotel. Antes de ir para a praia, porém, fomos mais uma vez para o centro comercial, fazer algumas compras de última hora. Devido aos desfiles de carnaval (eu já disse que odeio carnaval?), a avenida principal estava bloqueada e eu tive que estacionar o carro em uma rua paralela, e esse foi meu erro fatal.
Deixamos o carro estacionado e fomos para as compras. A avenida estava lotada de pessoas e choviam balas lançadas pelas crianças de cima dos carros alegóricos. Quando voltamos para o carro, não notei nada de errado, mas o alarme sinalizou com um “beep” extra que alguma das portas estava aberta. Fui verificar e encontrei o problema: alguém havia arrombado o porta-malas.
Felizmente o furto foi pequeno: imagino que com o disparo do alarme o ladrão tenha se assustado, pegou o que viu pela frente, encostou a porta e fugiu. Foram roubadas apenas duas sacolas de compras e uma sacola de praia com algumas roupas íntimas e maquiagens da Viviane.
Fiquei chocado com a facilidade com que é possível abrir um porta-malas. A tranca mal foi arrombada e não ficou marca alguma no carro. Posteriormente fiquei sabendo que esse tipo de roubo é comum por lá: enquanto que no Brasil os ladrões optam por estourar o vidro lateral e levar o som, lá eles se especializaram em abrir porta-malas de turistas e levar as compras ou mesmo malas.
Ainda contatei um policial da rua na esperança de que tivessem capturado algum ladrão nas redondezas, mas foi em vão.
De qualquer modo, dos males o menor: o carro estava intacto e nossas malas e as principais compras ainda estavam lá. Compramos novas roupas íntimas e seguimos para a praia.
Nos próximos posts, um pouco mais sobre a ilha…
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Carnaval em Margarita
Ao contrário do que imaginávamos, o carnaval também é comemorado na Venezuela, na mesma data que no Brasil. A semana do carnaval é considerada de alta temporada, os preços sobem, os hotéis ficam lotados e as principais ruas são bloqueadas para os desfiles. Ingenuidade nossa, que pensamos estar fugindo da agitação típica dessa época no Brasil.

Tivemos alguma dificuldade em encontrar vagas à beira mar, mas no final deu tudo certo e conseguimos uma boa pousada a duas quadra da principal praia de Margarita, a “Playa El Água”.
O carnaval de lá é muito diferente do nosso, e foi aí que entendi por que gringos vem pro Brasil ver os desfiles do Rio de Janeiro. Eu não gosto de carnaval e procuro me isolar em alguma montanha ou viagem nessa época do ano, mas na Venezuela fui pego de surpresa e acompanhei um desfile no centro de Porlamar. Quase sempre quem desfila são as crianças, que passam com alguns carros alegóricos lançando balas (”caramelos”) pra quem está próximo. Tudo muito simples, parece um desfile brasileiro de 7 de setembro. :-)

Como de costume, aí vão as dicas:
- Carnaval é alta-temporada em Margarita. Reserve um hotel/pousada com antecedência e prepare-se pra preços um pouco mais salgados. Passeios, serviços e até compras em geral também ficam mais caros;
- 14 de Fevereiro é o Dia dos Namorados na Venezuela (”Valentine’s Day” ao redor do mundo). Se estiver acompanhado, aproveite os eventos especiais desse dia (jantares, festas, etc);
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Compras em Margarita
“Na Venezuela todo brasileiro é milionário”. Com um real valendo 1.550 bolívares (fev/2007), essa frase nunca foi tão verdadeira. OK, OK, uma coca-cola custa Bs 1.500,00, então na verdade quase todo mundo é milionário. :-)
A ilha de Margarita é uma região de Zona Franca de Importação (”Duty Free”). Por lá você encontra a bons preços toda a variedade de bebidas, eletrônicos, bugigangas chinesas/indianas e roupas de grifes internacionais. O centro da cidade de Porlamar é repleto de lojas e existem vários shoppings, o principal deles simplesmente gigantesco, com direito a Hard Rock Café e muitas outras franquias “importadas”. Considere o fato da moeda brasileira estar em alta e… bingo, você encontrou o paraíso das compras.

Dos dez dias que ficamos na ilha, quatro foram gastos exclusivamente em passeios pela cidade de Porlamar, longe das praias. Não pudemos comprar tudo o que gostaríamos pois chegando em Manaus embarcaríamos no voo pra Curitiba - excesso de bagagem custa caro - mas aproveitamos pra comprar algumas roupas, tênis, utensílios de cozinha, tapetes e outras bugigangas. Se ainda morasse em Manaus, eu deixaria pra fazer minhas principais compras uma vez por ano em Margarita. :-)
Em termos de eletrônicos e informática, existem lojas oficiais da Apple, HP, Sony, LG e de outros grandes fabricantes. São lojas grandes e sofisticadas, mas os preços não são tão atrativos. Ainda prefiro o bom e velho Paraguay.
A dica mais importante de todas: não use cartão de crédito. Troque os reais na fronteira e use dinheiro vivo. A cotação oficial do Bolivar é controlada pelo Banco Central Venezuelano e é muito abaixo da praticada nas casas de câmbio das ruas. Em fevereiro de 2007, o câmbio oficial era R$ 1,00 = Bs 1.011,00 enquanto que nas casas de câmbio da fronteira, estava em R$ 1,00 = Bs 1.550,00. Infelizmente só ficamos sabendo disso quando já estávamos na Ilha, longe de qualquer banco brasileiro… :-(
Outras dicas:
- Gasolina é “de graça”. Encha o tanque e deixe o troco como gorjeta; :-)
- A comida em geral deixa um pouco a desejar, mas aproveite os pães e doces venezuelanos. Eles são surpreendentemente bons, os melhores que experimentei até hoje;
- A cota brasileira para importação por vias terrestes é de U$ 300/pessoa, mas roupas e objetos de uso pessoal não são considerados. Há limites no número de garrafas de bebidas e outros itens, consulte o posto da Polícia Federal na fronteira;
- Não perca tempo nas ruas paralelas, de “comércio popular”. Os preços não são bons e os itens, de menor qualidade;
- Por incrível que pareça, os melhores preços pra artigos de praia (roupas de banho, artesanatos, lembranças) estão à beira-mar, e não no centro da cidade ou supermercados.
Nos próximos posts, um pouco mais sobre a ilha…
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História pra contar: O Tiro!
Já havia anoitecido e ainda estávamos na estrada, atrasados pela parada em Puerto Ordaz. Nosso objetivo era chegar em Puerto La Cruz para a pernoite antes de pegar o Ferry Boat para chegar até a Ilha, pois não tinhamos qualquer referência de hotel antes de lá.
Viajar à noite na Venezuela é uma grande aventura: as estradas simplesmente não foram feitas pra isso. A sinalização é péssima, as placas nem sequer brilham com a luz do farol e você precisa ficar atento pra desviar de obstáculos na pista (como uma ponte ou estrada em reformas).
Pois bem… Era por volta de 21:00hs, estávamos a cerca de 100km/h quando, do nada, após uma curva/morro, avisto um posto da guarda nacional. Salto o primeiro quebra-molas sem tomar conhecimento do mesmo e começo a frear o carro para a parada obrigatória de carimbo dos documentos. Vem o segundo quebra-molas, mais um salto e noto que não vai dar pra parar o carro no local correto. Após o barulho da passada no quebra-molas, vemos um soldado do exército vir correndo em direção à estrada, parar, sacar a arma, apontar e “páh“, só ouvimos o tiro, a poucos metros de nós.
Desesperado, travo os quatro pneus do carro, baixamos todos os vidros, erguemos as mãos e passamos a repetir em claro e bom portuñol: “No atire! No atire! Somos brasileños! Desculpa-nos!”
O soldado, ao notar que éramos apenas turistas e vendo a besteira que fez, vem até o carro, pede os documentos, verifica que está tudo OK e repetidamente balança a cabeça como quem diz pra si mesmo “que $$%&%@#$”. Um oficial superior logo se aproxima e explicamos o mal entendido. Ele nos pede desculpas, menciona que a parada é obrigatória, que devemos tomar cuidado, bla bla bla e logo em seguida nos libera.
Pra onde foi o tiro? Não temos a menor idéia. Felizmente o soldado não era dos melhores atiradores… :-)
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Ida, parte II: Santa Helena - Ilha de Margarita
No domingo pela manhã, por volta de 07:00hs, fizemos o checkout do hotel Gran Sabana e fomos até o centro de Santa Helena trocar nossos reais por bolívares. A troca é feita em casas de câmbio ao redor da praça Simón Bolivar. Basta começar a andar pela praça pra que te ofereçam a moeda venezuelana. Não aceite trocar dinheiro na rua, não tenha pressa e reconte várias vezes as notas, pois você sairá da casa de câmbio milionário: em fevereiro de 2007, 1 (um) Real comprava nada menos que 1.550 Bolívares.
Cerca de 150km depois da fronteira vem o primeiro posto de combustível liberado para brasileiros. É impossível não sorrir enquanto se abastece o carro. Chegamos com o tanque na reserva e completamos com a melhor gasolina disponível: a “Sin Promo” (gasolina pura, 95 de octnagem). Quanto gastamos com isso? Convertendo para nossa moeda: R$ 2,51! Isso mesmo, dois reais e cinquenta e um centavos por 40 litros de gasolina! :-)
Nos primeiros 300km dentro da Venezuela a paisagem é de savana (região conhecida como “La Gran Sabana“) e montanhas. A estrada corta uma serra bastante densa e é possível ver o Monte Roraima ao fundo. As estradas venezuelanas são excelentes, têm pouco tráfego e não há qualquer tipo de implicação com velocidade. Eu me mantive entre 160km/h e 180km/h por quase todo o trajeto.

No meio do caminho passamos por Puerto Ordaz, uma cidade de porte médio, com um grande shopping center. Acabamos parando pra almoçar e gastando bastante tempo no shopping, olhando as vitrines e pesquisando preços.
A passada por Puerto Ordaz atrasou bastante nossa viagem e acabamos tendo que viajar à noite (o que não é uma boa idéia, veja os próximos posts). Chegamos em Puerto La Cruz já de madrugada, por volta de 01:00h. Compramos o ticket do ferry-boat e cochilamos dentro do próprio carro, no estacionamento, pois logo às 07:00h já embarcaríamos para a ilha. Pelo ferry-boat expresso, a viagem dura cerca de 2h. O navio/barco/balsa/whatever é todo fechado e climatizado, o que é um pouco frustrante: você é obrigado a ficar olhando o mar pela janela.

Na chegada à Ilha, uma surpresa: esperávamos uma ilha pequena, praias e alguns hotéis à beira mar, mas encontramos algo totalmente diferente: a ilha tem 420.000 habitantes, mais de 1.000km², um forte comércio e uma grande rede de hotéis. Nos próximos posts trarei mais detalhes sobre a ilha e suas praias, mas você também pode consultar a página oficial e a respectiva página na wikipedia.
Resolvemos passar os primeiros dias na cidade de Porlamar e escolhemos o hotel Marina Bay, um ótimo hotel na relação custo benefício, com direito a uma bela vista pro mar.

Como de costume, seguem algumas dicas para esse trecho:
- Troque todo seu dinheiro logo na fronteira. Pelo menos em nossa experiência, foi a melhor cotação de toda a viagem;
- O Shopping em Puerto Ordaz é muito bom e tem bons preços, mas os de Margarita são ainda melhores. Não atrase sua viagem;
- Tenha uma calculadora em mãos, sempre. É muito fácil se confundir com os preços nas casas de milhares e milhões;
- Evite viajar durante a noite dentro da Venezuela: as estradas não são preparadas pra esse horário;
- Use o ferry-boat expresso. O comum é bem mais demorado e pouco confortável;
- O ar-condicionado do ferry-boat é bem forte. Leve um agasalho.
Nos próximo posts, um pouco mais sobre a ilha…
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Ida, parte I: Manaus - Santa Helena (fronteira Brasil - Venezuela)
Já havíamos despachado a mudança e devolvido o apartamento, então passamos a noite de sexta-feira, 09 de fevereiro na casa de nossa amiga Kílvia. Como estávamos muito cansados da mudança, resolvemos passar o sábado em Presidente Figueiredo, curtindo umas cachoerias e descansando em uma das muitas pousadas que há por lá antes de encarar os quase 2000km de estrada.
No domingo bem cedo iniciamos nossa viagem em direção à fronteira, onde passaríamos a noite. Foram 1029 km pela BR 174 até a cidade de Santa Helena, passando pelos 115km da reserva dos índios Waimiri Atroari (km 207), pelo marco da linha do equador (km 353) e por Boa Vista, capital de Roraima (km 770). A BR 174, embora com muitos buracos, fornece uma bonita e deserta paisagem. O trecho que corta a reserva indígena é sensacional: mesmo com os sinais de “não pare!”, “não fotografe!” e sabendo que os índios não são amigáveis, fizemos algumas paradas pra curtir o som da mata e o ar puro, momentos inesquecíveis.

Na linha do equador, não resistimos e fizemos um teste pra ver se a água realmente gira em direções diferentes quando passamos de um hemisfério para o outro: e a conclusão, como esperado, é que sim, há menos de 2 metros da linha do equador o funil de água que descia de uma garrafa pet de 2l mudava de sentido: horário no hemisfério sul e anti-horário no hemisfério norte.

Passamos rapidamente por Boa Vista e seguimos viagem até a fronteira. Chegamos na divisa pouco antes das 17:00hs. Carimbamos nossos passaportes, apresentamos todos os documentos (veja abaixo) para a liberação do veículo e fomos para a cidade de Santa Helena, nos hospedando num hotel logo na entrada da cidade: o Gran Sabana.
Pra quem for encarar essa viagem, seguem algumas dicas pro trecho Manaus -> Santa Helena:
- Certifique-se de que seu carro tem um bom protetor de cárter, pneu step e uma ou duas câmaras-de-ar de reserva;
- Não ignore nenhum posto de gasolina se o tanque estiver abaixo da metade;
- Informe-se das condições atuais da estrada antes de planejar seus horários, principalmente se for viajar durante a noite;
- Há restrições no horário de abastecimento na fronteira para brasileiros: evite transtornos e encha o tanque em Boa Vista;
- Recomendamos o Hotel Gran Sabana (logo após a fronteira, na entrada da cidade). A diária de casal custou R$ 50,00;
Segue também a lista de pré-requisitos para entrar na Venezuela (tudo em duplicado: xerox e original):
- Documentos originais do veículo;
- Carteira de motorista;
- Passaporte;
- Vacina contra Febre Amarela (carteirinha internacional);
- Documento do Detran atestando que o veículo não tem multas ou pendências no Brasil;
Nos próximos posts, a continuação da viagem…
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