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Viagem à Patagônia: 30 dias no sul da Argentina e Chile

Foram 30 dias de viagem pela Patagônia, alternando entre Chile e Argentina. Quem já nos conhece sabe que não somos “turistinhas”: gostamos de viajar em baixa temporada e tentamos sair do lugar comum. E assim foi essa viagem: rodamos por estradas do interior, conhecemos pequenas vilas, fizemos trekking, acampamos, pedimos carona e nos hospedamos ou pelo menos conhecemos vários outros couchsurfers.

Fim do outono e início do inverno é a baixa temporada na Patagônia, com tempo frio, cidades desertas e chuva, vento e neve. A maior parte da infra-estrutura turística das pequenas cidades está fechada e algumas estradas ou trilhas pra trekking bloqueadas. Mas no geral tivemos muita sorte: conseguimos dias de sol onde era mais importante e a chuva atrapalhou bem menos do que esperávamos.

Algumas fotos da viagem

Algumas fotos da viagem (clique para ampliar)

Mas enfim, isso tudo é assunto pros posts futuros onde relatarei a viagem em detalhes. Esse aqui é só pra dizer que chegamos bem e que a viagem foi ótima, com pouquíssimos contratempos. Seguem algumas estatísticas da viagem:

  • 15 cidades
  • 2300 km de carro (alugado)
  • 2400 km de ônibus
  • 3 voos domésticos (2 na Argentina e 1 no Chile)
  • 15 noites em 9 diferentes pousadas, chalés ou hotéis
  • 12 noites em 6 diferentes couchsurfers
  • 01 noite no carro ao lado da pequena Vila Traful (numa noite de -2C)
  • 01 noite em barraca (Torres del Paine)
  • 01 noite no ônibus (Osorno – Santiago)
  • 4228 fotos (14GiB)
  • 5h10m de vídeos (22GiB)
  • 52MiB de logs de GPS

Confira as fotos da viagem:

Nosso muito obrigado a todos os que contribuiram pra tornar essa viagem uma realidade.

Viagem à Patagônia: Argentina e Chile no Outono/Inverno

Hoje começou a nova aventura: 30 dias pelo sul da Argentina e Chile, no início do inverno. A viagem é com roteiro semi-aberto (sem passagens ou reservas prévias), com bastante apoio de couchsurfers e trechos de ônibus, avião e carro. Começa oficialmente em Buenos Aires e termina em Santigo do Chile.

Tentarei escrever ao longo da viagem – estou levando meu netbook \o/ – porém faltará tempo e internet. Mas mesmo que demore, eventualmente terei um relato completo da viagem e esse post será alterado pra servir como o índice para os outros, com mapas, links, dicas, etc.

O roteiro planejado é:

  • Buenos Aires
  • Ushuaia
  • El Calafate / El Chatén
  • Torres del Paine / Puerto Natales
  • Punta Arenas
  • Cohyaique
  • Carretera Austral
  • Puerto Montt
  • Bariloche
  • Pucón
  • Santiago del Chile

Além da mais longa, esta será a viagem com mais gadgets que já fiz(emos) até hoje: netbook, gps, n800, câmera SLR, lentes e afins, filmadora, tripé, termômetro… Será um experimento, uma tentativa de documentar em detalhes a viagem. Se valeu a pena ou não eu conto daqui a 30 dias. :-)

PS.: eu escrevi esse post e deixei a publicação agendada no wordpress. Já devemos estar próximos a Buenos Aires.

Atualização – confira as principais fotos da viagem:

Viagem à Africa do Sul: Cape Town, superando as expectativas

Confira o post inicial: Viagem à África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem realizada em dez/2007-jan/2008.

Estão disponíveis os álbuns de fotos:

Durante toda a viagem, era comum nos perguntarem pra onde estávamos indo. Quando respondíamos que nosso destino era Cape Town (Cidade do Cabo), a reação era sempre a mesma: “Oh, Cape Town é muito linda, fantástica, maravilhosa, vocês vão adorar lá, bla, bla bla”. Isso criou uma expectativa de que talvez a cidade fosse “overhyped”. Estávamos conhecendo tantos lugares bonitos e nos perguntávamos: será que Cape Town é tão mais mais assim?

E não é que chegando lá a gente concordou com tudo o que tinha ouvido? A cidade realmente tem as paisagens mais belas da África do Sul, é cortada por uma cadeia de montanhas (a principal delas a Table Mountain), tem um litoral com lindas praias e regiões rochosas, é muito bem organizada e tem uma ótima infra estrutura de turismo. É conteúdo pra semanas de passeios, mas infelizmente só nos sobraram dois dias na cidade, dias esses que tentamos aproveitar ao máximo.

Vista ao longo da estrada

Vista ao longo da estrada na região da Table Mountain

As regiões da Table Mountain e do Cabo da Boa Esperança são de longe as mais bonitas da cidade. As estradas contornam a serra à beira mar, formando uma paisagem fantástica. A cada curva uma vista mais bonita que a outra. O tempo estava perfeito e foi um grande prazer dirigir por essas estradas. No Cabo de Boa Esperança há vários pontos de observação, faróis e monumentos. É imperdível.

Aliás, contrário ao que muitos pensam, a divisão entre os oceanos Índico e Atlântico fica no Cabo das Agulhas (Cape Agulhas) (o ponto mais ao sul do continente africano) e não no Cabo da Boa Esperança (que é o ponto mais ao sudoeste). Cape Agulhas fica a 170km de Cape Town e passamos por ele após fazer um desvio da estrada principal que vem da Garden Route. Além de um marco na divisa dos dois oceanos que dá uma boa foto, não há muito o que ver por lá.

A Table Mountain tem um moderno teleférico e uma ótima infra estrutura de apoio. Nossa visita ao topo foi no dia 31 de dezembro e pra nossa surpresa nesse dia o horário é estendido até as 02:00hs pra quem quer passar a virada do ano lá em cima, com uma vista panorâmica da cidade. Não tivemos dúvida: voltamos até a casa onde estávamos, nos agasalhamos e subimos a montanha novamente. Lá de cima vimos o último por-do-sol do ano e os fogos (que não foram muitos) da virada.

Table Mountain

Table Mountain

Um outro local bastante movimentado na cidade é o Waterfront, um complexo turístico/comercial com restaurantes, lojas, feiras e que tem como principal atração um grande e belíssimo aquário. Nós nunca havíamos entrado em um aquário de grande porte e ficamos realmente impressionados. Havia uma variedade enorme de animais marinhos, além dos sempre simpáticos pinguins, algas e algumas outras aves.

Tubarão no Two Oceans Aquarium

Tubarão no Two Oceans Aquarium

É muita coisa pra relatar e o blog não tem espaço pra muitas fotos, então pra ter uma ideia melhor, confira os álbuns completos da cidade e do aquário.

Já a cidade em sí é como outra qualquer. O centro é moderno e bem movimentado e é possível encontrar de tudo um pouco, incluindo algum comércio de rua com produtos artesanais em geral.

Dicas e curiosidades:

  • A região tem muito a oferecer. Se for pra escolher apenas uma cidade pra visitar na África do Sul, escolha Cape Town;
  • Não visitamos a região dos vinhedos, mas eles são bastante famosos;
  • Não deixe de visitar o Two Oceans Aquarium no Waterfront;
  • O Cabo da Boa Esperança tem uma paisagem linda, mas não é a divisa entre os oceanos Índico e Atlântico;
  • Tem um ônibus de turismo que faz o city-tour em um ou dois dias. É uma opção bem flexível pra quem tem pouco tempo ou está sem carro;
  • A visita à Robben Island é muito concorrida. Em alta temporada, faça reserva com semanas ou até meses de antecedência;
  • Dá pra subir a Table Mountain no modo trekking, mas nos disseram que há um certo risco de assaltos. Se tiver tempo, deve ser uma boa opção;
  • Na virada do ano a Table Mountain tem um horário especial de visitação que se estende até às 02:00 da manhã;
  • Esperávamos um grande show de fogos na virada do ano, o que não ocorreu. Apenas alguns poucos fogos de artifício apareceram;
  • O entardecer e noite na Table Mountain são bem frios;
  • Como é comum na África do Sul, a água da praia é relativamente fria, mesmo no verão.

Voltando pra casa…

De Cape Town pegamos um voo para Johanesburgo onde novamente fomos hospedados pela nossa amiga couchsurfer Antoinette. Foi uma estadia rápida pois no outro dia pela manhã embarcávamos para o Brasil. No final já estávamos sentindo falta de casa (foram 45 dias pra mim e 25 dias pra Viviane), mas a África do Sul já deixava saudades mesmo durante o voo.

Indo embora

Indo embora

E assim terminam os relatos dessa viagem (demorou quase um ano e meio pra publicar esse último post!). Foi uma viagem intensa e excelente, sem qualquer contratempo ou momento ruim. Esperamos um dia retornar ao país, quem sabe com bem mais tempo pra conhecer os lugares que ficaram pra trás. :-)

Viagem à Africa do Sul: The Elephants Sanctuary

Confira o post inicial: Viagem à África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem realizada em dez/2007-jan/2008.

Fotos: Adicionei as fotos desse passeio em Fotos da Garden Route (incluindo Elephants Sanctuary) – África do Sul.

Já havíamos visto elefantes soltos no Kruger Park, mas é na Garde Route, bem próximo de Plettenberg Bay, que fica um parque só de elefantes, chamado de “The Elephants Sanctuary” (Santuário dos Elefantes), de agora em diante referenciado como “ES” nesse post.

Embora seja uma atração turística que efetivamente explora os animais, o parque é extremamente organizado e é visível a política de respeito aos bixos. Pra gente ficou a sensação de que, se é pra ter contato direto com um animal selvagem, a abordagem deles parece a mais ética e respeitosa. Pra esse parque são destinados elefantes que não se adaptaram à vida selvagem, seja por terem sido domesticados desde pequenos (por circos e safaris privados) ou porque estavam apresentando sinais de intolerância ou dependência humana em parques como o Kruger. No ES os elefantes ficam em um ambiente semi-aberto onde são treinados em grupo e eventualmente devolvidos pra vida selvagem quando mais adultos.

Alimentando os Elefantes

Alimentando os Elefantes

O grande atrativo do parque é a oportunidade de conhecer elefantes realmente de perto. Além das explicações dos guias sobre as características e curiosidades dos animais, é possível tocá-los, alimentá-los e até mesmo montá-los em um passeio extra de alguns minutos. Pra Viviane, que estava ansiosa por ver de perto um de seus animais favoritos, foi uma grande festa.

Viviane tocando um dos elefantes

Viviane tocando um dos elefantes

Vale a nota de que na saída do ES encontramos um par de Suricates (como o Timão do filme Rei Leão) soltos pelo parque. Como nunca havíamos visto um desses, ficamos receosos a princípio, mas os bichinhos eram muito dóceis e não demorou pra que estivessem aos nossos pés brincando.

Suricate

Suricate

Enfim, é um passeio pra uma manhã ou tarde que vale a pena ser feito.

Viagem à África do Sul: Skydive em Plettenberg Bay

Confira o post inicial: Viagem à África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem realizada em dez/2007-jan/2008.

Em Plettenberg Bay tive a oportunidade de realizar um grande sonho: saltar de para-quedas. Foi a 10.000 pés de altitude em modo “Tandem” (acompanhado do instrutor).

Segue o vídeo (14min, produção da empresa que fez o salto):

Se alguém entender o que o cara fala depois de “Welcome to South Africa…” ou souber o nome das músicas de fundo, por favor deixei um comentário explicando. :-)

Rápidas:

  • O salto deu menos medo do que o bungee-jump;
  • São uns 30 segundos de queda livre seguidos de uns 5-10 minutos de voo;
  • Eu esqueci de olhar pra câmera;
  • A edição de som ficou muito ruim, o volume da música estava estourado, editei pra remediar mas não dá pra fazer milagre, tem muito clipping;
  • A maioria das pousadas e hotéis tem o telefone do skydive. Mesmo em alta temporada, acredito que seja tranquilo fazer a reserva com um dia de antecedência;
  • Link pra empresa que faz os saltos: http://www.skydiveplett.com/.

Viagem à África do Sul: Bloukrans Bungee Jump (216m)

Confira o post inicial: Viagem à África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem realizada em dez/2007-jan/2008.

A poucos kilômetros de Plettenberg Bay fica a Bloukrans Bridge (Ponte Bloukrans). Foi dessa ponte, a 216m de altura, que eu saltei de Bungee Jump no dia 28/12/2007. É o bungee jump mais alto do mundo entre os operados comercialmente (está no Guinness Book e tal), com 7 segundos de queda livre.

Um vídeo vale mais do que mil palavras:

Eu geralmente não tenho problemas com altura e já havia saltado de um bungee jump de 40m no Brasil, mas como dá pra ver no vídeo, eu “engoli seco” na hora que olhei pra baixo… pular foi apavorante. Mas foi uma ótima e recomendada experiência – adrenalina pura. :-)

Rápidas:

  • Um pouco antes de mim, um senhor de 74 anos saltou e voltou vivo. Estava acompanhado de boa parte da família;
  • É preciso assinar um documento dizendo que você se responsabiliza pela sua eventual morte e tal;
  • Minha cabeça ficou sensível a movimentos bruscos por alguns dias depois do salto, como se estivesse inchada, mas nada grave;
  • A fila é grande em alta temporada, chegue cedo;
  • Venta muito na ponte e faz frio. Vá agasalhado;
  • Além do bungee-jump, eles também oferecem atividades pros menos corajosos: passeio sob a ponte e uma carretilha, que me pareceu palha;
  • Quem salta pode levar um acompanhante pra ponte;
  • Existe um restaurante próximo do local com comidas diversas;
  • Não é permitido subir a ponte com câmeras ou mochilas, supostamente por motivos de segurança;
  • As fotos e o vídeo são feitos pela empresa de bungee-jump. Eles entregam tudo em um CD e um DVD no final (não lembro o preço, mas não me pareceu abusivo).

Viagem à África do Sul: Garden Route – Plettenberg Bay

Confira o post inicial: Viagem à África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem realizada em dez/2007-jan/2008.

A região da Garden Route tem algumas das paisagens e estradas mais belas por onde já tive a oportunidade de passar. São várias cidades pequenas, lindas praias e um grande conjunto de montanhas, tudo muito próximo. Na estrada, era comum ter uma cadeia de montanhas do lado direito (o Tsitsikamma National Park) e a vista do Oceano Índico à esquerda.

Montanhas do Tsitiskamma National Park

Montanhas do Tsitiskamma National Park

É também uma região muito rica, com várias mansões e carros de luxo nas ruas, principalmente na pequena Plettenberg Bay (onde ficamos hospedados na pousada Albergo for Backpackers), e na vizinha Knysna. Como é padrão na África do Sul, as estradas e ruas são muito bem sinalizadas e a infra-estrutura pública é excelente. Pra se ter uma idéia, estávamos na praia quando os bombeiros deram o alarme de que tinham avistado um tubarão na região. Em poucos minutos haviam salva-vidas com jet-skis, buggies na areia e até um helicóptero monitorando a praia, que foi liberada duas horas depois.

Pra quem não quer ficar parado só apreciando a vista, atividades não faltam. Há várias opções de esportes radicais ou de aventura (bungee jump, skydive, mergulho, etc), um famoso parque de elefantes, golfinhos e baleias nas épocas certas do ano, a península Robberg, o Nature’s Valley e o Parque Tsitsikamma, que tem uma excelente infra-estrutura pra quem gosta de fazer trekking (incluindo chalés rústicos nas principais rotas).

Vista de Plettenberg Bay

Vista de Plettenberg Bay

Infelizmente nosso tempo era curto e não deu pra conhecer tudo. Nosso roteiro original incluia três noites em Plettenberg Bay, mas a região tinha tanto a oferecer que decidimos ficar por mais um dia. Como não havia vagas na pousada, foi nossa oportunidade de usar a barraca que estava na mochila (sim, nossa barraca, sacos de dormir e até a caixa térmica já cruzaram o Atlântico, ida e volta). :-)

Definitivamente gostaríamos um dia voltar, principalmente pra encarar um trekking no Tsitsikamma e explorar mais a região. Dessa vez o destaque ficou pros esportes radicais. Mas estou me adiantando… nos próximos posts vem os detalhes, fotos e vídeos das atividades que fizemos por lá.

Confira todas as Fotos da região da Garden Route e Plettenberg Bay.

Dicas e curiosidades:

  • As praias são muito bonitas, mas a água é gelada;
  • Em alta temporada, faça reservas com bastante antecedência;
  • A região tem restaurantes para todos os gostos e bolsos (e as pousadas sempre tem cozinhas de uso coletivo);
  • A vida noturna é variada. Muitos lugares são familiares, mas também há boates, bares e afins;
  • Algumas casas (mansões) nas encostas tinham até elevadores panorâmicos pra facilitar o acesso aos andares superiores;
  • Não perca a caminhada, nem que seja rápida, pela península Robberg. A vista é excelente;
  • Não tivemos notícia de nenhum problema com segurança na região;

Viagem à África do Sul: Port St Johns, Ceia de Natal e a Terra dos Milagres

Confira o post inicial: Viagem à África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem realizada em dez/2007-jan/2008.

Aproveitamos a manhã da véspera de Natal em Durban e encaramos a estrada no início da tarde. O plano pra próxima parada era ficar na região de Coffee Bay, mas por falta de vagas na alta temporada, mudamos nosso itinerário (confira o mapa) e ficamos um pouco antes, na região de Port St Johns (a apenas 340km de Durban). A pousada escolhida foi a Amapondo Backpackers, uma pousada um tanto rústica e com um ambiente um pouco “alternativo”.

Entrada da Pousada Amapondo

Entrada da Pousada Amapondo

A viagem de ida demorou mais que o previsto, pois pegamos uma neblina muito densa na serra e quando chegamos na pousada já era noite. Ao chegar ficamos um pouco receosos a princípio: o quarto era bem rústico e os banheiros, sem iluminação, ficavam ao relento. Haviam pessoas dormindo em redes, vários cachorros e um bar/restaurante bem badalado. De qualquer modo, fomos bem recepcionados e nem sequer passou pela nossa cabeça procurar outro lugar. Fomos direto pro quarto, tomei um banho ao relento e então procuramos algo pra nossa ceia de natal…

Quarto na Pousada Amapondo

Quarto na Pousada Amapondo

Eu disse ceia de natal? O jantar do dia 24/dez/2007 foi um desastre. Com muita fome e cansados, fomos esperançosos ao restaurante da pousada. Havia muita gente, bebidas e música, mas nos disseram que sim, estavam servindo refeições. Eu pedi um sanduíche e a Viviane pediu um prato de arroz com bife e legumes. Quando a comida chegou, a decepção: mesmo com muita fome, foi difícil engolir algumas garfadas. A comida estava muito mal preparada, o arroz duro, empapado e sem sal, a carne sem tempero. O pão do sanduíche era velho, a batata esquisita… Enfim, foi uma Ceia de Natal “marcante”. :-)

Mas a ceia da noite de Natal não foi nada comparada à verdadeira ceia, marcada para a tarde do dia 25. Fizeram uma grande campanha de marketing na pousada, dizendo que a ceia seria especial. E confesso que foi mesmo, mais uma vez marcante: a refeição mais cara que pagamos em toda a África do Sul e também a pior de todas. Ficou claro pra gente que o problema era o cozinheiro (um “chef” inglês que resolveu se mudar pra África): comida sem sal, molhos aguados, assados borrachudos, tudo fora do ponto. Nem a sobremesa ele conseguiu salvar. Enfim… fomos até um vilarejo próximo e comemos um bom prato de comida de rua na barraquinha de uma simpática sul-africana. E só custou alguns poucos reais :-)

Ceia de Natal na pousada Amapondo

Ceia de Natal na pousada Amapondo

Mesmo com alguns transtornos, a estadia valeu a pena. A região é muito bonita e no dia 26, mesmo com o tempo um pouco chuvoso, fizemos um passeio cultural na região. Fomos até uma vila bastante pobre, em um local que muitos acreditam ser sagrado e milagroso por ter algumas características geológicas peculiares: um buraco que emite um gás com cheiro forte (metano?), uma caverna com muita argila branca, uma pequena lagoa barrenta e uma fonte de água salobra. Foi interessante presenciar a fé daquelas pessoas: elas realmente consideravam o local sagrado e haviam doentes vindos de diferentes cidades, que acreditavam que o simples fato de expor uma ferida ao gás, cobrir o corpo com argila, entrar na água barrenta ou beber da água salobra seria o suficiente pra curá-los. Eles faziam isso com uma certa reverência, em uma real demonstração de fé.

Ainda na pequena vila, a Viviane decidiu distribuir entre as crianças do local algumas balas que tínhamos no carro. Foi uma festa: as crianças, muito alegres e incentivadas por uma das líderes locais, começaram a cantar músicas em seu idioma nativo e a Viviane, que quase não gosta dessas coisas, se empolgou e se divertiu à bessa.

Na volta pra pousada encontramos muitas pessoas pela estrada, todas muito simpáticas, acenando para o carro. Também chamava a atenção as casas de telhados coloridos e as pessoas com roupas típicas e rostos cobertos por argila (um costume da região: usam argila como protetor solar e conservar a pele do rosto).

Uma pena que nesse dia esquecemos a câmera fotográfica na pousada :-( e não pudemos registrar esses momentos emocionantes, que ficaram apenas em nossa memória.

Algumas dicas e recomendações:

  • Faça reserva com bastante antecedência em alta temporada. Mesmo duas semanas antes, não conseguimos vaga na pousada que queríamos, Coffee Shack em Coffee Bay;
  • Há uma serra no caminho entre Durban e Port St Johns. Imagino que o cenário seja bonito durante o dia, mas à noite pegamos muita neblina;
  • Se ficar na pousada Amapondo, evite o restaurante, mas não perca o passeio à vila Pondo;
  • Não esqueça a câmera fotográfica. ;-)