Viagem à Africa do Sul: Chegada e Impressões Gerais

Confira o post inicial: Viagem à África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem realizada em dez/2007-jan/2008.

Bandeira África do Sul

No domingo, 16 de Dezembro de 2007, chegamos ao Aeroporto de Joanesburgo, África do Sul. Já havíamos passado por ali em conexão rumo à Angola, mas agora era hora de desembarcar e encarar a cidade e o país pra valer.

Nossa passagem de volta estava marcada para o dia 04 de Janeiro e por estarmos no pico da alta temporada, nossa agenda estava quase toda definida com reservas em pousadas, parques e passeios.

Assim que chegamos fomos recepicionados por nossa recém conhecida amiga e couchsurfer Antoinete. Extremamente receptiva e prestativa, ela foi até o aeroporto nos esperar. Fizemos um rápido tour pela cidade no caminho pra sua casa onde um quarto estava arrumado nos esperando.

Embora a maioria das pessoas associe África à pobreza e à vida selvagem (como vistos na TV), a África do Sul destaca-se pelo seu nível de desenvolvimento. O país conta com uma ótima infra-estrutura turística e uma organização que lembra alguns países da Europa. E mesmo após tantos anos sob o regime do Apartheid (que findou em 1990), há poucos sinais de preconceito ou discriminação. Como era de se esperar há várias regiões pobres com problemas de desigualdade social, mas presenciamos um convívio muito pacífico entre as diferentes etnias.

Aos longos dos próximos posts detalharemos mais aspectos do país, mas por enquanto é suficiente dizer que ficamos muito surpresos (positivamente) com tudo o que vimos.

Algumas curiosidades sobre o país:

  • O principal idioma é o Inglês, seguido do Afrikaans e outras 11 línguas oficiais;
  • As pessoas são muito simpáticas e receptivas, principalmente nas pequenas cidades, vilas e áreas populares. Quando nos identificávamos como brasileiros, isso ficava ainda mais expressivo;
  • Há uma grande diversidade cultural nas diferentes regiões do país. A maioria das vilas mantém algumas de suas tradições, vestimentas e línguas originais;
  • 80% da população são negros, 9% brancos e 11% mestiços/asiáticos (simplificadamente);
  • A variedade geográfica é muito grande: em uma área pouco menor que a do estado do Pará, o país tem lindas praias, serras montanhosas, desertos, áreas florestais e algumas regiões onde há neve no inverno;
  • Os africanos adoram cores… e gostam de pintar os telhados de suas casas de cores variadas.

Localização da África do Sul

Localização da África do Sul no continente Africano


Joanesburgo em particular é uma cidade mais industrial do que turística. Sendo a maior cidade da África do Sul e vizinha da capital Pretória, as principais atrações são históricas (residência original de Nelson Mandela, Soweto, prédios governamentais, etc). Infelizmente não conseguimos encaixar uma permanência mais longa em nossa agenda, então Joanesburgo ficou em nossa memória apenas como a porta de entrada e saída da África do Sul.

Já na segunda-feira dia 17 partimos para 4 dias de safari no Kruger National Park, mas isso é assunto para o próximo post…

Fotos de Luanda – Angola

Confira o post inicial: Viagem à Angola e África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem.

Antes de publicar os relatos da viagem à África do Sul, resolvi publicar as fotos de Luanda – Angola. A maioria delas foi tirada de dentro do carro, sem muito tempo pra caprichar na composição ou exposição, mas deu pra registrar alguma coisa.

Eu já postei algo sobre fotografia em angola anteriormente, mas agora publiquei o álbum completo: Fotos de Luanda – Angola.

Modelines pra TV Philips 32PF5320

Acredito que seja útil pra mais gente: frequências e modelines para configurar a resolução nativa da TV LCD Philips 32PF5320 (HDTV 720p) no Xorg. A melhor coisa é fazer testes e experimentos com algumas dessas opções e modelines. Pode ser que na sua combinação de hardware e software as coisas funcionem de maneira diferente. Alguns dos meus testes foram feitos há mais de um ano, com um PC desktop, Nvidia 7600GS, Mandriva Linux 2008.0 (xserver-1.3), cabo DVI->HDMI. Outros testes foram feitos com um Notebook ThinkPad T61p (Nvidia Quadro FX 570M), Fedora 9 (xserver-1.4.99) e cabo VGA.


  # Philips 32PF5320
  HorizSync 29-80
  VertRefresh 48-85
  Option "UseEDID" "off" ## not sure if really necessary


  # Native resolution. The first one was perfect,
  # but YMMV, so you should run some tests
  Modeline "1368x768" 104.73 1368 1516 1660 1788 768 797 800 801 +hsync +vsync
  Modeline "1368x768" 104.73 1368 1400 1544 1784 768 769 772 801 +hsync +vsync
  Modeline "1368x768" 104.73 1368 1396 1540 1784 768 769 772 801 +hsync +vsync

Utilizando o meu desktop via HDMI eu não consegui eliminar uma perda nas bordas da tela, então criei uma modeline de resolução 1200×680 e usei a opção Option "FlatPanelProperties" "Scaling = Centered" do driver nvidia:


  # if you lose the borders, try a smaller resolution
  # and center it on the screen
  Modeline "1200x680" 74.25 1200 1390 1430 1650 680 725 730 750 +hsync +vsync

Eu criei essas modelines com o xvditune(1), mas por alguma razão tive que testá-las reiniciando o X, pois a função de teste ou apply do programa não estão funcionando no meu hardware. Novamente, YMMV. De qualquer modo, dá pra fazer ajustes reiniciando o X com as modelines geradas no xvidtune (finetunning no xvidtune, show, vim xorg.conf, reinicia o X, repeat).

Não, eu não gostei do OS-X

Depois de dois meses utilizando um MacBook Pro, finalmente voltei ao bom e velho hardware IBM PC. No início achei que, como tantos amigos e ex-colegas de trabalho hoje ex-linuxers, eu também seria mordido pelo bichinho da maçã: me impressionei com algumas firulas e depois de ler sites como o Portal Mac do Aurélio, achei que iria me adaptar facilmente. Mas eu não demorei pra concluir que realmente não combino com o OS-X e assim que tive a oportunidade troquei o macbook por um ThinkPad.

Confesso que durante esses dois meses o aplicativo mais utilizado foi o VirtualBox rodando Linux, mas fiz um esforço pra utilizar o desktop do OS-X e me adaptar às aplicações disponíveis (sem grandes hacks que descaracterizassem o sistema), como experiência.

Eu respeito quem optou pela mudança – e olha que não foram poucos – mas pra mim o OS-X está muito longe de ser um sistema que me agrade. Minhas principais reclamações:

  • Mouse com um botão;
  • Design fresco :-P;
  • Um ecossistema não livre (inclusive menos “grátis” do que o MS-Windows);
  • Ctrl+C e Ctrl+V;
  • Um browser (Safari) que teima em voltar a ser definido como padrão, mesmo com o Firefox3 instalado (evil!);
  • Sistema de janelas extremamente limitado (sem desktops virtuais, finder é muito simplificado, etc);
  • O botão de maximizar tenta ser inteligente (e não é);
  • Sistema de instalação/remoção de aplicativos brain-damaged (eu poderia escrever um post sobre isso, mas vou dar uma de troll mesmo);
  • Bugs como em qualquer outro SO (e-mail client travava, máquina algumas vezes congelava em suspend quando o monitor externo era reconectado, etc)

make-photo-pages (mpp.py) 1.1

O mpp.py surgiu da necessidade que tenho de manter em sync minha página de fotos com meus álbuns gerenciados no Picasa (mais detalhes no post do primeiro anúncio público).

Hoje lancei a versão 1.1 do mpp.py. As grandes mudanças são a implementação de um cache do EXIF das imagens e muitas, mas muitas melhorias no código em geral.

Mais detalhes na página oficial:

download | documentation | examples

Adeus Curitiba (de novo)

Hora de continuar com a vida de nômade: faz pouco mais de um ano que voltamos de Manaus pra Curitiba e agora chegou a hora de partir pra uma outra. :-)

Depois de 7 bons anos trabalhando na Conectiva/Mandriva, resolvi experimentar novos desafios e deixei a empresa. Vim pra Recife, de mudança e tudo, pra trabalhar no INdT (Instituto Nokia de Tecnologia). Uma grande mudança mas que acredito ter tudo pra dar certo. A Viviane veio junto. Só ficou o nosso gato Dot pra trás, aguardando até que nos acertemos com um apartamento por aqui.

As últimas semanas em Curitiba foram bastante intensas: aproveitando alguns dias de folga e o feriado de 01/maio, fomos até São Paulo visitar minha cunhada e a prima da Viviane, depois fomos pra serra e passamos uma noite no Itapiroca, depois fomos até Umuarama (casa dos meus pais) e, finalmente, de lá pra Foz do Iguaçu fazer um pouco de turismo (Itaipu, Cataratas, Argentina, Paraguai, etc – fotos em breve).

Aqui em Recife as coisas estão indo bem: o trabalho é muito bom e por enquanto estamos em um hotel, começando a procurar pela nossa próxima moradia. Espero que dê tudo certo e que logo estejamos bem adaptados à nova vida.

Fica aqui meu abraço a todos os amigos que ficam em Curitiba e o convite pra que nos visitem em Recife. :-)

Últimos dias em Angola II: Ninguém…. Ninguém…

Confira o post inicial: Viagem à Angola e África do Sul com o índice de todos os relatos da viagem.

De todos os dias que passamos em Angola, um deles foi especial pois foi o dia em que conferimos de perto como é viver na periferia de Luanda. Foi uma grande experiência, que tentamos relatar abaixo (post escrito em conjunto com minha esposa Viviane).

Na quinta-feira 13 de dezembro de 2007, fomos visitar duas simpáticas madres da Pastoral da Criança (Missionárias de Santa Terezinha): a Irmã Socorro e a Irmã Graça, que trabalham no bairro Palanca. Nosso interesse era conhecer um pouco do trabalho delas, da realidade da periferia, visitar algumas creches e, quem sabe, ajudar de algum modo.

Chegar até a casa das madres não foi fácil. Palanca é um bairro muito pobre e com pouca infra-estrutura. Como estávamos no início do período de chuvas, algumas ruas estavam cheias de uma mistura de lama, lixo e esgoto (o terreno é argiloso e não há rede de escoamento de água). Mesmo estando com um carro 4×4, ficamos muito apreensivos ao encarar alguns trechos, pois não tínhamos certeza se conseguiríamos chegar do outro lado. Felizmente deu tudo certo (4×4 rulez) e chegamos sãos e salvos ao nosso destino.

As madres estavam nos aguardando. Foram muito atenciosas e já tinham um roteiro pronto pra nossa visita. Pegamos o carro e nos dirigimos até a sede da igreja, onde estacionamos e tendo a Irmã Socorro como nossa guia, caminhamos pelo bairro. Tivemos a oportunidade de conversar com vários moradores e conhecer um pouco do sofrimento do dia-a-dia, das tradições e da cultura Angolana. Ficamos particularmente chocados ao ver uma família vivendo em um terreno totalmente alagado com lama na altura do joelho e ao ouvir relatos de que em muitas casas (senão a maioria) quem é responsável pelo sustento é a mulher – os homens acabam tendo várias famílias. Embora as dificuldades fossem muitas, as pessoas com quem conversamos estavam sempre sorrindo e foram muito simpáticas conosco.

Típica mulher angolana, dedicada ao trabalho e chefe da família

Típica mulher angolana, dedicada ao trabalho e chefe da família

Ao chegarmos na creche as crianças estavam se preparando para uma festa de Natal e encerramento das atividades do ano. No início algumas delas estavam um pouco tímidas com nossa presença, mas em poucos minutos a Viviane já estava brincando, cantando e tirando fotos com todas. Foi muito bom interagir com as crianças e uma grande alegria pra Viviane que é professora aqui no Brasil e é fascinada pela África.

Viviane cantando com crianças em uma creche

Viviane cantando com crianças em uma creche

Andando pelas ruas encontramos uma pequena feira (comércio de rua é muito comum em Luanda). Não é fácil fotografar ambientes abertos em Angola, mas com a intervenção da madre, que explicou que éramos amigos (brasileiros, turistas, não jornalistas e nem sensacionalistas), conseguimos tirar algumas fotos (com direito a pose, veja abaixo).

Comércio de rua em Luanda

Comércio de rua em Luanda

Ao retornar pra sede da igreja, nos deparamos com uma cena incrível: um “mar” de mulheres com roupas típicas participando de uma cerimônia religiosa em um bosque. Elas cantavam com alegria e uma harmonia natural. Mesmo não compartilhando da mesma religião, nos aproximamos e fomos contagiados pela emoção e fé daquelas mulheres. É difícil achar palavras pra descrever a cena, mas é suficiente dizer que não conseguimos conter as lágrimas naqueles poucos instantes em que as acompanhamos.

Cerimônia religiosa em Luanda

Cerimônia religiosa em Luanda

Aliás, veja o vídeo abaixo e entenda o porquê do título desse post. :-)


Cerimônia Religiosa em Luanda – Angola (Ninguém… Ninguém…) from Ademar Reis on Vimeo.

Eram nossos últimos dias em Angola e ficamos muito felizes por ter um dia inesquecível, com experiências que ficarão pra sempre guardadas em nossa memória. Testemunhamos a triste realidade dessas pessoas, mas ao mesmo tempo vimos que elas não perdem sua esperança e fé de que as coisas vão melhorar.

Nossa passagem por Angola estava chegando ao final. Foi ótimo passar dias em tão boa companhia e esperamos que nossa estada tenha contribuído de algum modo pra ajudar esse povo que tanto merece uma vida melhor. No domingo fomos pro Aeroporto, era hora de ir de férias pra África do Sul…

Últimos dias em Angola

Confira o post inicial: Viagem à Africa do Sul com o índice de todos os relatos da viagem.

O projeto em que estive envolvido estava chegando ao final (pelo menos por enquanto) e eu tinha uma última viagem a Angola, dessa vez mais curta. Meu plano era passar um mês por lá, sendo que a Viviane (minha esposa), passaria os últimos 15 dias comigo antes de irmos de férias pra África do Sul.

Cheguei em Angola no dia 26 de novembro, levando na bagagem uma caixa de 41kgs de material para o evento que começaria no dia 28: o IT Forum. Mas como a lei de murphy também é válida em Angola, a caixa foi extraviada e só apareceu no último dia do evento… :-( Mas nos viramos com o que tinhamos e no final deu tudo certo. O IT Forum é um evento anual que marca o trabalho do Ministério de Ciência e Tecnologia de Angola e é realizado em um grande e moderno centro de convenções que fica próximo ao Belas Shopping.

Salão de Palestras - IT Forum

Salão de Palestras - IT Forum

No dia 11 de dezembro foi a vez da Viviane realizar o grande sonho da vida dela e colocar os pés no continente Africano pela primeira vez. Ela fez uma viagem sem contratempos e chegou “saltando de alegria”. Foi muito bom reencontrá-la após 15 dias sozinho.

Mesmo com a correria dos preparativos da viagem, foi possível aproveitar bem os últimos dias por lá. Eu estava de carro, então visitamos várias partes da cidade e fomos até o “Miradouro da Lua”, uma espécie de Canyon à beira do mar. Na última noite em Angola ainda tivemos o prazer de ir à festa de noivado (tradicional) de meu amigo Deodato. Foi uma semana muito intensa.

Miradouro da Lua - Angola

Miradouro da Lua, próximo a Luanda

Mas o ponto alto desses últimos dias é assunto pro próximo post… :-)