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Belas Shopping – Luanda

Inaugurado em março deste ano, o Belas Shopping é um símbolo da reconstrução de Luanda/Angola. O shopping ainda é pequeno quando comparado aos padrões brasileiros, mas não deixa a desejar na qualidade das instalações. É um shopping muito bonito e agradável e seu projeto inclui futuras expansões. Tem 8 salas de cinema (stadium, comparáveis aos Cinemarks do Brasil), praça de alimentação e um bom supermercado.

Fachada Belas Shopping - Luanda

Fachada Belas Shopping - Luanda

Interior Belas Shopping - Luanda

Interior Belas Shopping - Luanda

O único inconveniente do shopping é que fica em uma região um pouco isolada da cidade, distante do centro e do trabalho e moradia da maioria da população. É uma região que está toda em obras e no longo prazo deve se tornar uma parte nobre da cidade, pois no caminho encontramos várias condomínios e outros grandes estabelecimentos em construção.

O Cinema

Hoje tivemos mais uma falta de luz em casa e resolvemos ir até o shopping assistir um filme pra matar o tempo. Estavam disponíveis os principais lançamentos da atualidade (Transformers, Ocean’s 13, Harry Potter, Quarteto Fantástico, etc), mas receoso, escolhi um filme qualquer: Pulse, um suspense básicão que acabou não sendo de todo ruim.

Cinema - Belas Shopping

Cinema - Belas Shopping

Como pode ser visto na foto que tirei rapidamente, a parte exterior lembra muito os cinemas brasileiros: monitores de Plasma/LCD, amplas bilheterias, pipoca, etc. A sala que visitei (número 4) era muito boa e não deixa em nada a desejar frente às salas tradicionais do Brasil (som Dolby Digital, poltronas confortáveis, formato stadium, etc). Fiquei positivamente surpreso.

O preço é um pouco salgado: USD 8,00 por sessões iniciadas até as 18:00h e USD 16,00 pelas sessões após esse horário.

O Supermercado

Anexo ao shopping está o supermercado Shoprite. É um bom supermercado, aparentemente a melhor escolha em Luanda. É relativamente pequeno, então não há tanta variedade de produtos, mas suas instalações são novas e o atendimento no geral é bom.

Fachada Supermercado Shoprite

Fachada Supermercado Shoprite

Primeiros dias de trabalho em Angola

O trabalho começou pra valer na quinta-feira. Até então estava apenas correndo atrás de planejamento e pendências, mas agora já estou “botando a mão na massa”. Nessa fase do projeto, tenho trabalhado ministrando aulas de Linux. Uma turma pela manhã e outra à tarde, segunda a sexta-feira.

As turmas são heterogênias: há alguns poucos alunos que, quando questionados “o que era o Google”, escolheram a opção “Novo programa da Microsoft”, enquanto que outros já tem alguma formação acadêmica, incluindo um aluno com certificação Microsoft. No geral, são usuários de nível médio, que tiveram pouco contato com o Linux até agora.

A sala de aula é muito bem equipada. Os computadores são HPs e Dells novos, todos com LCDs de 17″. Temos acesso à Internet, no-breaks, datashow e uma impressora laser. Logo eu providencio uma foto pra postar por aqui. :-)

As primeiras aulas foram bastante agradáveis, com os alunos se esforçando e demonstrando bastante interesse nos assuntos apresentados. A sensação de estar ajudando na formação dos primeiros administradores de sistemas linux do país é muito boa e tem me motivado a fazer o meu melhor.

Espero que o ritmo se mantenha bom pelas próximas semanas e que o conteúdo seja bem absorvido. Como eles falam português, pretendo incentivá-los a acessar listas de discussão, páginas de sites e fóruns brasileiros. Nem todos tem acesso fácil à internet, mas espero que logo logo comecem a aparecer angolanos em nossas listas e fóruns. :-)

Fotografando em Angola

Update 2008-08-09: Já está disponível o álbum de fotos de Luanda – Angola.

Há muito o que fotografar por aqui. Não faltam curiosidades, peculiaridades e aspectos culturais a serem documentados. Mas há um obstáculo: fotógrafos em geral não são bem vindos pelas ruas, principalmente nós estrangeiros.

Como não há turismo e a população em geral é pobre, é incomum ver alguém andando com uma câmera fotográfica pelas ruas. Os colegas de trabalho angolanos me orientaram a tomar cuidado e disseram que em geral a população não gosta de ver fotógrafos “brancos” documentando os problemas daqui. Além disso, a lei proibe fotos de policiais, oficiais do exército e prédios públicos (!) e há algumas pessoas que creem que ser fotografado implica em “ter sua alma capturada” ou algo do tipo.

É realmente uma pena e me sinto um pouco frustrado. Todo dia vejo cenas dignas de serem fotografadas, mas nem ao menos estou carregando minha câmera (como disse em um dos primeiros posts, tenho uma SLR Canon Rebel XT, que é relativamente grande e chama a atenção). O jeito é documentar através de textos mesmo, pelo menos até eu me ambientar melhor e encontrar um “jeitinho brasileiro” pra resolver esse problema.

No primeiro dia tirei algumas poucas fotos, descompromissadamente, em locais com pouco movimento e de dentro do carro. Nenhuma delas é especial, mas seguem como amostra do (pouco) que fotografei por enquanto:

Passeando por Luanda

Passeando por Luanda

Sinais de reconstrução

Sinais de reconstrução

Viagem à Angola :: Dificuldades Iniciais

O projeto que estou envolvido deve incluir vários funcionários da empresa, mas fui o primeiro a vir pra cá, com a tarefa de “desbravar” a fronteira, montar um planejamento e preparar o caminho para os próximos viajantes. Nessa situação, estou encarando algumas dificuldades que meus colegas provavelmente não terão que enfrentar.

Quem viaja a trabalho geralmente está acostumado a ficar em um bom hotel e ter uma série de mordomias. Em Angola as coisas não são bem assim.

A infra-estrutura hoteleira é fraca e as empresas geralmente alugam casas para seus funcionários utilizarem durante a estadia em Luanda. Estou alojado em uma casa recém alugada, de uma das empresas parceiras do projeto onde mora outro brasileiro, que trabalha em Luanda há mais de dois anos. A casa é simples, mas tem a vantagem de estar localizada próxima ao local de trabalho. Por ser recém alugada, ainda há algumas coisas pra serem arrumadas na estrutura, então estou encarando alguns problemas, tomara que temporários.

No domingo acordamos sem energia elétrica e, pra piorar, sem água, pois o reservatório de água da casa é uma cisterna (abaixo do nível do solo) e a bomba d’agua é elétrica (não há caixa d’agua). Felizmente passamos quase o dia todo fora de casa, mas quando voltamos, ainda não havia eletricidade. Já estava me conformando em dormir sem ar-condicionado e sem banho quando a energia voltou, por volta de 21:00hs.

O segundo dia começou bem. Foi um dia produtivo de trabalho, mas na hora de vir pra casa a decepção: fiquei sabendo que estávamos novamente sem eletricidade. As casas aqui geralmente tem um gerador próprio, mas onde estou hospedado o gerador está com problemas (um novo deve ser comprado logo).

Ficamos um pouco mais no trabalho pra compensar a falta do que fazer em casa (sem eletricidade, ficamos sem banho, sem ar-condicionado, sem água na torneira, sem luz pra leitura, sem geladeira, sem água pra descarga do banheiro, etc) e depois seguimos pra casa.

Nesse momento, estou escrevendo às escuras (o post só será publicado pela manhã) usando a bateria do notebook. Não contem pra minha mãe, mas são 22:17hs, meu termômetro marca 28C e eu não tenho esperanças de tomar banho hoje. ;-)

Segunda noite em Angola, às escuras

Segunda noite em Angola, às escuras

Update, 00:10 – A luz voltou há cerca de 1h, pelo menos garanti meu banho. Estou aproveitando uma conexão temporária à Internet pra postar agora mesmo esse relato, a partir de casa.

Viagem à Angola :: A vinda

Com o chamado “caos aéreo” assolando nosso país, achei por bem ir de Curitiba até São Paulo de ônibus: saí às 06:00hs de sexta-feira, cheguei no terminal rodoviário do Tietê por volta de 12:30hs e de lá peguei um táxi até o Aeroporto Internacional de Guarulhos (cuja corrida custou meros R$ 88,00).

A melhor rota pra se chegar em Angola parece ser via África do Sul, pela South African Airways (SAA). O voo saiu de Guarulhos às 18:10hs – surpreendentemente com apenas 20min de atraso – e chegou em Johannesburgo às 07:20hs de sábado (horários locais). O voo foi tranquilo, com um bom serviço de bordo (jantar e café da manhã).

Embora a África do Sul seja um país bem desenvolvido e tenha um moderno aeroporto, o desembarque foi caótico: havia apenas um raio-X pra todos os passageiros de pelo menos dois voos internacionais que chegaram juntos (mais de 500 pessoas). Não havia qualquer tipo de orientação ou fila. Foi um grande empurra-empurra, cada um por sí.

Outro transtorno foi na hora da partida. Já embarcados, fomos obrigados a aguardar por 1h50m dentro do avião pois houve uma confusão com as bagagens. Decolamos por volta de 11:00hs, chegando em Luanda às 14:10hs.

Quando nos aproximamos de Luanda, o que vemos de cima é uma cidade pouco urbanizada, dominada pela poeira da região que é desértica. Ao chegar no aeroporto encontra-se muito pouco: o saguão se resume praticamente ao balcão de imigração e a fiscalização. É preciso ter alguém lá te esperando, pois não é fácil encontrar locais de descanso, telefones ou táxis.

Algumas dicas pra quem estiver vindo:

  • Se estiver trazendo algum material de trabalho (e.g. livros, apostilas, CDs, etc), evite transportá-lo em caixas. Os sistemas de raio-X são antigos e aparentemente não captam muita coisa, mas caixas chamam a atenção dos fiscais. Traga o máximo de documentação que puder (notas-fiscais, cartas de empresas/órgãos angolanos, etc), pois a burocracia é grande e qualquer pedaço de papel pode fazer bastante diferença;
  • Para informações sobre vistos, moradia, empregos, etc, recomendo a comunidade “Brasileiros em Angola”, no orkut (sim, orkut às vezes é útil!).

Relatos de Angola

Bandeira de Angola

Na sexta-feira dia 27 embarquei pra Angola, onde devo permanecer por algumas semanas trabalhando em um projeto da Mandriva. A partir de hoje, sempre que possível, devo postar algumas notícias, relatos, fotos e curiosidades dessa viagem.

Já adianto que as fotos não serão muito frequentes, pelo menos por enquanto. Minha câmera (uma Canon EOS Digital Rebel XT) não é discreta e usá-la chama um pouco a atenção, portanto antes de me expor preciso me ambientar com as condições locais. Já tenho algumas fotos e espero completar o álbum até o final da viagem.

Aproveitando o post inicial, vou escrever um pouquinho sobre o país e sua história:

De colonização portuguesa (de onde herdou seu idioma), Angola conquistou sua independência em 1975 e quase que imediatamente ingressou em uma guerra civil que terminou apenas em 2002, após 27 anos.

Embora boa parte da população viva em condições de extrema pobreza, o país tem riquezas naturais como diamantes e petróleo, o que provê um certo financiamento para a reconstrução do que foi destruído pelos quase trinta anos de guerra.

Com o maior crescimento do continente africano (entre 20 e 30% ao ano), os primeiros resultados começam a aparecer. Estão sendo feitos investimentos pesados em infra-estrutura (estradas, telecomunicações, moradia, saneamento) e várias empresas já começam a investir nas boas oportunidades de negócio do país. O resultado é uma cidade em obras e uma terra de contrastes: ao lado da pobreza encontram-se muitos carros importados e foi inaugurado recentemente um relativamente luxuoso shopping.

Vir pra Angola pode ser considerado uma aventura: por aqui não há estrutura turística e ainda há dificuldades com o que consideramos como nessecidades básicas e garantidas nas principais cidades do Brasil (água, energia, internet, transporte público). Mas com o grande crescimento e a necessidade de mão de obra especializada, Angola é uma terra de oportunidades, seja para trabalhadores assalariados ou empresários.

A viagem tem um grande valor como experiência de vida. Experiência de ajudar na reconstrução de um país assolado pela guerra e, no pior caso, vale pra gente dar mais valor ao que temos no Brasil e ver que apesar dos pesares, vivemos em um grande país. :-)