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Confira o post inicial: Viagem Manaus – Ilha de Margarita (Venezuela) com o índice de todos os relatos da viagem.

Fomos Roubados :-(

Esse é um relato de uma parte chata da viagem: após três dias de passeios e compras, era hora de sair do hotel da cidade (Marina Bay) e ir para uma pousada à beira da praia (Pousada Ashi).

Fizemos as malas, empacotamos o que havíamos comprado, guardamos tudo no carro e fizemos o checkout do hotel. Antes de ir para a praia, porém, fomos mais uma vez para o centro comercial, fazer algumas compras de última hora. Devido aos desfiles de carnaval (eu já disse que odeio carnaval?), a avenida principal estava bloqueada e eu tive que estacionar o carro em uma rua paralela, e esse foi meu erro fatal.

Deixamos o carro estacionado e fomos para as compras. A avenida estava lotada de pessoas e choviam balas lançadas pelas crianças de cima dos carros alegóricos. Quando voltamos para o carro, não notei nada de errado, mas o alarme sinalizou com um “beep” extra que alguma das portas estava aberta. Fui verificar e encontrei o problema: alguém havia arrombado o porta-malas.

Felizmente o furto foi pequeno: imagino que com o disparo do alarme o ladrão tenha se assustado, pegou o que viu pela frente, encostou a porta e fugiu. Foram roubadas apenas duas sacolas de compras e uma sacola de praia com algumas roupas íntimas e maquiagens da Viviane.

Fiquei chocado com a facilidade com que é possível abrir um porta-malas. A tranca mal foi arrombada e não ficou marca alguma no carro. Posteriormente fiquei sabendo que esse tipo de roubo é comum por lá: enquanto que no Brasil os ladrões optam por estourar o vidro lateral e levar o som, lá eles se especializaram em abrir porta-malas de turistas e levar as compras ou mesmo malas.

Ainda contatei um policial da rua na esperança de que tivessem capturado algum ladrão nas redondezas, mas foi em vão.
De qualquer modo, dos males o menor: o carro estava intacto e nossas malas e as principais compras ainda estavam lá. Compramos novas roupas íntimas e seguimos para a praia.

Nos próximos posts, um pouco mais sobre a ilha…

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Carnaval em Margarita

Ao contrário do que imaginávamos, o carnaval também é comemorado na Venezuela, na mesma data que no Brasil. A semana do carnaval é considerada de alta temporada, os preços sobem, os hotéis ficam lotados e as principais ruas são bloqueadas para os desfiles. Ingenuidade nossa, que pensamos estar fugindo da agitação típica dessa época no Brasil.

Carnaval em Porlamar

Carnaval em Porlamar

Tivemos alguma dificuldade em encontrar vagas à beira mar, mas no final deu tudo certo e conseguimos uma boa pousada a duas quadra da principal praia de Margarita, a “Playa El Água”.

O carnaval de lá é muito diferente do nosso, e foi aí que entendi por que gringos vem pro Brasil ver os desfiles do Rio de Janeiro. Eu não gosto de carnaval e procuro me isolar em alguma montanha ou viagem nessa época do ano, mas na Venezuela fui pego de surpresa e acompanhei um desfile no centro de Porlamar. Quase sempre quem desfila são as crianças, que passam com alguns carros alegóricos lançando balas (“caramelos”) pra quem está próximo. Tudo muito simples, parece um desfile brasileiro de 7 de setembro. :-)

Mini Princesita - Carnaval em Porlamar

Mini Princesita - Carnaval em Porlamar

Como de costume, aí vão as dicas:

  • Carnaval é alta-temporada em Margarita. Reserve um hotel/pousada com antecedência e prepare-se pra preços um pouco mais salgados. Passeios, serviços e até compras em geral também ficam mais caros;
  • 14 de Fevereiro é o Dia dos Namorados na Venezuela (“Valentine’s Day” ao redor do mundo). Se estiver acompanhado, aproveite os eventos especiais desse dia (jantares, festas, etc);

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Compras em Margarita

“Na Venezuela todo brasileiro é milionário”. Com um real valendo 1.550 bolívares (fev/2007), essa frase nunca foi tão verdadeira. OK, OK, uma coca-cola custa Bs 1.500,00, então na verdade quase todo mundo é milionário. :-)

A ilha de Margarita é uma região de Zona Franca de Importação (“Duty Free”). Por lá você encontra a bons preços toda a variedade de bebidas, eletrônicos, bugigangas chinesas/indianas e roupas de grifes internacionais. O centro da cidade de Porlamar é repleto de lojas e existem vários shoppings, o principal deles simplesmente gigantesco, com direito a Hard Rock Café e muitas outras franquias “importadas”. Considere o fato da moeda brasileira estar em alta e… bingo, você encontrou o paraíso das compras.

Interior de um dos shoppings

Interior de um dos shoppings

Dos dez dias que ficamos na ilha, quatro foram gastos exclusivamente em passeios pela cidade de Porlamar, longe das praias. Não pudemos comprar tudo o que gostaríamos pois chegando em Manaus embarcaríamos no voo pra Curitiba – excesso de bagagem custa caro – mas aproveitamos pra comprar algumas roupas, tênis, utensílios de cozinha, tapetes e outras bugigangas. Se ainda morasse em Manaus, eu deixaria pra fazer minhas principais compras uma vez por ano em Margarita. :-)

Em termos de eletrônicos e informática, existem lojas oficiais da Apple, HP, Sony, LG e de outros grandes fabricantes. São lojas grandes e sofisticadas, mas os preços não são tão atrativos. Ainda prefiro o bom e velho Paraguay.

A dica mais importante de todas: não use cartão de crédito. Troque os reais na fronteira e use dinheiro vivo. A cotação oficial do Bolivar é controlada pelo Banco Central Venezuelano e é muito abaixo da praticada nas casas de câmbio das ruas. Em fevereiro de 2007, o câmbio oficial era R$ 1,00 = Bs 1.011,00 enquanto que nas casas de câmbio da fronteira, estava em R$ 1,00 = Bs 1.550,00. Infelizmente só ficamos sabendo disso quando já estávamos na Ilha, longe de qualquer banco brasileiro… :-(

Outras dicas:

  • Gasolina é “de graça”. Encha o tanque e deixe o troco como gorjeta; :-)
  • A comida em geral deixa um pouco a desejar, mas aproveite os pães e doces venezuelanos. Eles são surpreendentemente bons, os melhores que experimentei até hoje;
  • A cota brasileira para importação por vias terrestes é de U$ 300/pessoa, mas roupas e objetos de uso pessoal não são considerados. Há limites no número de garrafas de bebidas e outros itens, consulte o posto da Polícia Federal na fronteira;
  • Não perca tempo nas ruas paralelas, de “comércio popular”. Os preços não são bons e os itens, de menor qualidade;
  • Por incrível que pareça, os melhores preços pra artigos de praia (roupas de banho, artesanatos, lembranças) estão à beira-mar, e não no centro da cidade ou supermercados.

Nos próximos posts, um pouco mais sobre a ilha…

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História pra contar: O Tiro!

Já havia anoitecido e ainda estávamos na estrada, atrasados pela parada em Puerto Ordaz. Nosso objetivo era chegar em Puerto La Cruz para a pernoite antes de pegar o Ferry Boat para chegar até a Ilha, pois não tinhamos qualquer referência de hotel antes de lá.

Viajar à noite na Venezuela é uma grande aventura: as estradas simplesmente não foram feitas pra isso. A sinalização é péssima, as placas nem sequer brilham com a luz do farol e você precisa ficar atento pra desviar de obstáculos na pista (como uma ponte ou estrada em reformas).

Pois bem… Era por volta de 21:00hs, estávamos a cerca de 100km/h quando, do nada, após uma curva/morro, avisto um posto da guarda nacional. Salto o primeiro quebra-molas sem tomar conhecimento do mesmo e começo a frear o carro para a parada obrigatória de carimbo dos documentos. Vem o segundo quebra-molas, mais um salto e noto que não vai dar pra parar o carro no local correto. Após o barulho da passada no quebra-molas, vemos um soldado do exército vir correndo em direção à estrada, parar, sacar a arma, apontar e “páh“, só ouvimos o tiro, a poucos metros de nós.

Desesperado, travo os quatro pneus do carro, baixamos todos os vidros, erguemos as mãos e passamos a repetir em claro e bom portuñol: “No atire! No atire! Somos brasileños! Desculpa-nos!”

O soldado, ao notar que éramos apenas turistas e vendo a besteira que fez, vem até o carro, pede os documentos, verifica que está tudo OK e repetidamente balança a cabeça como quem diz pra si mesmo “que $$%&%@#$”. Um oficial superior logo se aproxima e explicamos o mal entendido. Ele nos pede desculpas, menciona que a parada é obrigatória, que devemos tomar cuidado, bla bla bla e logo em seguida nos libera.

Pra onde foi o tiro? Não temos a menor idéia. Felizmente o soldado não era dos melhores atiradores… :-)

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Ida, parte II: Santa Helena – Ilha de Margarita

No domingo pela manhã, por volta de 07:00hs, fizemos o checkout do hotel Gran Sabana e fomos até o centro de Santa Helena trocar nossos reais por bolívares. A troca é feita em casas de câmbio ao redor da praça Simón Bolivar. Basta começar a andar pela praça pra que te ofereçam a moeda venezuelana. Não aceite trocar dinheiro na rua, não tenha pressa e reconte várias vezes as notas, pois você sairá da casa de câmbio milionário: em fevereiro de 2007, 1 (um) Real comprava nada menos que 1.550 Bolívares.

Cerca de 150km depois da fronteira vem o primeiro posto de combustível liberado para brasileiros. É impossível não sorrir enquanto se abastece o carro. Chegamos com o tanque na reserva e completamos com a melhor gasolina disponível: a “Sin Promo” (gasolina pura, 95 de octnagem). Quanto gastamos com isso? Convertendo para nossa moeda: R$ 2,51! Isso mesmo, dois reais e cinquenta e um centavos por 40 litros de gasolina! :-)

Nos primeiros 300km dentro da Venezuela a paisagem é de savana (região conhecida como “La Gran Sabana“) e montanhas. A estrada corta uma serra bastante densa e é possível ver o Monte Roraima ao fundo. As estradas venezuelanas são excelentes, têm pouco tráfego e não há qualquer tipo de implicação com velocidade. Eu me mantive entre 160km/h e 180km/h por quase todo o trajeto.

No início da Gran Sabana

No início da Gran Sabana

No meio do caminho passamos por Puerto Ordaz, uma cidade de porte médio, com um grande shopping center. Acabamos parando pra almoçar e gastando bastante tempo no shopping, olhando as vitrines e pesquisando preços.

A passada por Puerto Ordaz atrasou bastante nossa viagem e acabamos tendo que viajar à noite (o que não é uma boa idéia, veja os próximos posts). Chegamos em Puerto La Cruz já de madrugada, por volta de 01:00h. Compramos o ticket do ferry-boat e cochilamos dentro do próprio carro, no estacionamento, pois logo às 07:00h já embarcaríamos para a ilha. Pelo ferry-boat expresso, a viagem dura cerca de 2h. O navio/barco/balsa/whatever é todo fechado e climatizado, o que é um pouco frustrante: você é obrigado a ficar olhando o mar pela janela.

Ferry Boat

Ferry Boat

Na chegada à Ilha, uma surpresa: esperávamos uma ilha pequena, praias e alguns hotéis à beira mar, mas encontramos algo totalmente diferente: a ilha tem 420.000 habitantes, mais de 1.000km², um forte comércio e uma grande rede de hotéis. Nos próximos posts trarei mais detalhes sobre a ilha e suas praias, mas você também pode consultar a página oficial e a respectiva página na wikipedia.

Resolvemos passar os primeiros dias na cidade de Porlamar e escolhemos o hotel Marina Bay, um ótimo hotel na relação custo benefício, com direito a uma bela vista pro mar.

Vista do nosso quarto de hotel

Vista do nosso quarto de hotel

Como de costume, seguem algumas dicas para esse trecho:

  • Troque todo seu dinheiro logo na fronteira. Pelo menos em nossa experiência, foi a melhor cotação de toda a viagem;
  • O Shopping em Puerto Ordaz é muito bom e tem bons preços, mas os de Margarita são ainda melhores. Não atrase sua viagem;
  • Tenha uma calculadora em mãos, sempre. É muito fácil se confundir com os preços nas casas de milhares e milhões;
  • Evite viajar durante a noite dentro da Venezuela: as estradas não são preparadas pra esse horário;
  • Use o ferry-boat expresso. O comum é bem mais demorado e pouco confortável;
  • O ar-condicionado do ferry-boat é bem forte. Leve um agasalho.

Nos próximo posts, um pouco mais sobre a ilha…

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Ida, parte I: Manaus – Santa Helena (fronteira Brasil – Venezuela)

Já havíamos despachado a mudança e devolvido o apartamento, então passamos a noite de sexta-feira, 09 de fevereiro na casa de nossa amiga Kílvia. Como estávamos muito cansados da mudança, resolvemos passar o sábado em Presidente Figueiredo, curtindo umas cachoerias e descansando em uma das muitas pousadas que há por lá antes de encarar os quase 2000km de estrada.

No domingo bem cedo iniciamos nossa viagem em direção à fronteira, onde passaríamos a noite. Foram 1029 km pela BR 174 até a cidade de Santa Helena, passando pelos 115km da reserva dos índios Waimiri Atroari (km 207), pelo marco da linha do equador (km 353) e por Boa Vista, capital de Roraima (km 770). A BR 174, embora com muitos buracos, fornece uma bonita e deserta paisagem. O trecho que corta a reserva indígena é sensacional: mesmo com os sinais de “não pare!”, “não fotografe!” e sabendo que os índios não são amigáveis, fizemos algumas paradas pra curtir o som da mata e o ar puro, momentos inesquecíveis.

Reserva Indígena Waimiri Atroari

Reserva Indígena Waimiri Atroari

Na linha do equador, não resistimos e fizemos um teste pra ver se a água realmente gira em direções diferentes quando passamos de um hemisfério para o outro: e a conclusão, como esperado, é que sim, há menos de 2 metros da linha do equador o funil de água que descia de uma garrafa pet de 2l mudava de sentido: horário no hemisfério sul e anti-horário no hemisfério norte.

Na linha do equador

Na linha do equador

Passamos rapidamente por Boa Vista e seguimos viagem até a fronteira. Chegamos na divisa pouco antes das 17:00hs. Carimbamos nossos passaportes, apresentamos todos os documentos (veja abaixo) para a liberação do veículo e fomos para a cidade de Santa Helena, nos hospedando num hotel logo na entrada da cidade: o Gran Sabana.

Pra quem for encarar essa viagem, seguem algumas dicas pro trecho Manaus -> Santa Helena:

  • Certifique-se de que seu carro tem um bom protetor de cárter, pneu step e uma ou duas câmaras-de-ar de reserva;
  • Não ignore nenhum posto de gasolina se o tanque estiver abaixo da metade;
  • Informe-se das condições atuais da estrada antes de planejar seus horários, principalmente se for viajar durante a noite;
  • Há restrições no horário de abastecimento na fronteira para brasileiros: evite transtornos e encha o tanque em Boa Vista;
  • Recomendamos o Hotel Gran Sabana (logo após a fronteira, na entrada da cidade). A diária de casal custou R$ 50,00;

Segue também a lista de pré-requisitos para entrar na Venezuela (tudo em duplicado: xerox e original):

  • Documentos originais do veículo;
  • Carteira de motorista;
  • Passaporte;
  • Vacina contra Febre Amarela (carteirinha internacional);
  • Documento do Detran atestando que o veículo não tem multas ou pendências no Brasil;

Nos próximos posts, a continuação da viagem…

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Nossa, faz bastante tempo, mas antes tarde do que nunca: antes de voltar em definitivo de Manaus, consegui tirar 15 dias de férias e aproveitei esse tempo pra ir de carro com minha esposa até a ilha de Margarita (ou Margherita) na Venezuela, visitar as praias caribenhas. Foram ótimos 4.800km rodados e na bagagem muitas lembranças e histórias pra contar.

Durante os próximos dias estarei publicando os relatos da viagem (que já estão prontos) e ao final disponibilizarei a página com todas as fotos.

Segue a lista dos posts publicados:

Em tempo, agradeço a todos os amigos de Manaus que nos ajudaram com informações e dicas pra viagem. Espero que esses posts sejam úteis para futuros viajantes. :-)

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Aproveitando o embalo e a falta de sono, adicionei também as fotos de minha viagem a cidade de Rio Grande (RS) e região, que fiz junto com a Viviane nas férias de 2005. A página inclui um pequeno relato da viagem.

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